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sábado, 28 de setembro de 2013

AGRIDOCE AMOR (Em Busca da Essência)

A saudade relembra.
Então, escuto
Vozes adolescentes
Com luz própria,
Feito flor que nasce poesia!

A música fluente do vento
Contendo enigmas,
Dispersos em anos,
Recolhia sentimentos, fantasias
Para dentro da memória:
Coração apunhalado pelo horizonte!

Como transcender o amor?
Como aceitar a nobreza
Elevada
Do desamor?

Fico aqui contando
A minha vida
Para essa árvore florida
E ferida
Sobre as impressões digitais do amor!

Esse apelo-afeto forjou-me humano.
Deixou uma sombra
Ou melodia
De pedidos extremos
Ao acaso...
Calado, suporto o céu
Com estrelas infinitas
Na rua de meus desígnios imaturos.

Cachoeiras incessantes despencam
Do crepúsculo turvo,
E na ventania as folhas
Secas lutam
Por ficarem imóveis,
Jazendo no tempo
Onde brota a verdade da paixão!

É por amor! Que amor?
Invenção agridoce.
Nossos olhos diziam as mesmíssimas
Intenções feito partículas
Doce de sofrimento.

Em nosso ser, o outono
fixou morada.
E coexiste, puro
No passado adolescido
O cheiro, o gosto,
E a suavidade das palavras.


quinta-feira, 12 de setembro de 2013

MOINHO (Relevo Azul)

Do sonho
engenheiro
à criança
e na realidade
moinho te edifico
em toda plenitude.

É um moinho de sonho
funcionando
dia frio
correias batem
na noite
abate o silêncio
canção d'água
roda embriagada.

Do teto ao chão
sombra e luz de candeeiro
desde o crepúsculo
até o amanhecer
o milho se rende
à prensa
a farinha desce fina
no vaporoso depósito.

Moinho
águas te agitam
dão-te passagem
abrem-se comportas
velocidade e força
usina
dê vida ao sonho
de menino
construindo em seu coração
concreto
que a morte não dissipa.

Ideal gira giro Planeta
em tua arquitetura
telhas francesas
costaneira é a tua varanda
parede de pedra
te transforma
cipós, limos, cepos.

Rangem as janelas
mastigo doce milho
moinho te edifico
em toda plenitude.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

POR QUE PARTIR? (Poesia Sempre)
"Navegar é preciso. Viver não é preciso".
(Fernando Pessoa)

O navio está no porto.
Parado. Esperando a hora.
Exata da partida. Está ali.
Com suprimentos de neblina.
Agoniado por atravessar o oceano.

Por quê? Por que partir?
Sem resposta; alto-mar.
Este é o dia e a noite.
Quem sou? Não importa.
Marinheiro ou náufrago!

Pensemos agora no navio.
No porto, atracado, sonhando mares.
Esperando que a alma.
Se encontre com o corpo.
O sopro com a saliva.

O ouvido com o dizer.
A velocidade com o objeto.
Enfim. Há muita ânsia.
Passos lentos e finitos.
O encontro é inevitável:

Como a "Ode Marítima"
De Fernando Pessoa.
Como "Vou-me embora Pra Pasárgada",
De Manoel Bandeira.
E tudo o que sustenta o imaginável.


quarta-feira, 14 de agosto de 2013

QUERO-QUERO (Relevo Azul)

Descamba chuva quero-quero está.

Alimenta-se do que retira
do potreiro molhado.

Canto forte,
protetor
noturno,
serração.

Pássaro vizinho
de voo rápido
embeleza a paisagem
junto ao gado.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

PONTO DE ENCONTRO (Poesia Sempre)

O ponto de encontro
é onde a figueira
atravessa a estrada.

O ponto de encontro
é onde na segunda-feira
o rio amanhece sussurrante.

O ponto de encontro
é onde o pingo da chuva
transpassa a gravidade da luz.

sábado, 6 de julho de 2013

Poemas de Tarcísio Rosa

MOVIMENTO (Poesia Sempre)

Troca-se o vento da casa
pelo vento do pulmão,
o vento do espaço
pelo vento do chão.


SAUDADE (Poesia Sempre)


Mãos, que rolam a massa,
Pela mesa que balança.
Mãos, mãos que a farinha mistura e lança,
Branca, vaporosa, úmida e assa.


UTOPIA (Poesia Sempre)


Neste mundo de utopias
Tu sorrias
E eu fazia parte de teu
Sorrir...

domingo, 16 de junho de 2013

SENHORA IDOSA (Relevo Azul)
(A minha avó Inez Rigotti da Rosa - saudade)

Com um pedaço de galho na mão
ela firma seu corpo,
sobe este morrinho com passos vagarosos,
a estrada é esburacada,
vai arrastando seu chinelo...

Às vezes,  vejo-a reclamar de tudo,
das pessoas que não zelam
pelo seu patrimônio
vendo aos poucos...
seu sonho de moça italiana
se dissipar feito fumaça.

O forno caiu...
a casa com goteira...
sua vaca holandesa magra...
e seu potreiro tomado de mato,
essas pequenas coisas fizeram parte
de sua vida inteira.

Com seu vestido estampado branco,
ela estava na porta da sala,
com os olhos cheios d'água,
vendo o horizonte e a planície costeira...

Na verdade, ela estava vendo
sua vida inteira...
o ventinho balançava
seus cabelos brancos.