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sábado, 19 de março de 2011

ODE ALTÍSSIMA

Desconsidere-me neste momento
carne e osso, vegetal.
Visualize o que não lhe digo.

Há versos infinitos já mora
aqui o eu poético.

Ouviremos as mesmas palavras tecendo
os mesmos fios?

Não falaremos do amor
que é guilhotina
cortando veia a veia,
até a última!

Até a última veia em chama!

(Poema do livro Em Busca da Essência, 2001.)

domingo, 13 de março de 2011

BOLSOS DA JAQUETA JEANS

Ao amigo Giba

Amigo, alicerce da construção
real que ilumina manhãs
alegra a passarada
com voo livre da amizade.

O amigo, simplesmente,
inerente ao respirar que vai
recíproco ao pulsar que vem
caminhante do Sol
no oceano, com as mãos
nos bolsos da jaqueta jeans
para a brisa tocar
os pés descalços.

O amigo,
de infinita constelação
de transpor montanhas,
perseguido pelo som
cântico dos sonhos
das trombetas e dos guardiões,
sonhos, que é riso do abraço.

(Poema do livro Em Busca da Essência, 2005.)

terça-feira, 8 de março de 2011

Malaca

O importante em uma trilha não está em chegar em tal ponto, em tal objetivo da montanha, mas, em toda a extensão se prolonga ao nosso redor uma infinita possibilidade de conhecimento e contemplação. Tarcísio

domingo, 6 de março de 2011

CAVALO NO CAMPO

O verso dorme
na noite que sonha,
plenilúnio.

Campo de cima
da serra basalto
pinheiros descortinam
manhãs.

O gavião real
agarra presa.
Cavalo pasta
macega, erva.

Cavalo é selvagem no campo
aberto às vozes sucumbidas.
Arfadas no silêncio,
coxilhas verdejantes.

Minuano semeador
de crina na aragem,
marcas de pata
cavalo no campo.

(Poema gauchesco do livro Em Busca da Essêcia, 2001.)

domingo, 27 de fevereiro de 2011

AMAR

Amar é libertar-se completamente
Da estranha orquestra
Que se apaga na alma.

Amar é distanciar-se completamente
Das cobranças humanas
Que esfriam o coração.

Amar é superar-se completamente
Das próprias fraquezas
Acumuladas na brevidade.

Amar é revolucionar-se completamente
Das condições terrenas
Para evoluir o espírito.

(Poema do livro Poesia Sempre, 2005.)

domingo, 20 de fevereiro de 2011

O VOO DO URUBU

O voo do urubu no vale
de asas estendidas suaves
planando sossegado e leve
em voltas ágeis pela sebe.

Subi a montanha para aprender
como voar no amanhecer.
Os urubus voam brincando
na vertente de ar dançando.

O urubu voa como seta controlada
até o tapete verde do vale instalada.
Descendo ou subindo em voltas feras
em bandos de aves negras.

O voo do urubu no vale
de asas estendidas suaves,
segue a corrente do vento
no tinteiro do firmamento.

(Poema do livro Poesia Sempre, 2005.)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

MULHER EGÍPCIA

Como é bela essa mulher Egípcia!
Seus traços revelam uma rainha.
Como seus passos parecem obedecer
a uma sinfonia primitiva.

Eu quero essa mulher Egípcia!
Seus cabelos compridos castanhos
brincam num ar de carícias
e movimentos que imitam sonhos!

Reservada em seu mundo, sorri,
celestialmente espontânea, ciente
vive cada segundo, agora.

Essa mulher Egípcia é comprometida,
com o arco-íris da primavera
e com as palavras do poeta.

(Poema do livro Em Busca da Essência, 2001.)